Nova música do grupo tem participação do trombonista Bocato, que já tocou com nomes como Elis Regina, Rita Lee, Ney Matogrosso e Itamar Assumpção.

Da esquerda para a direita, DJ Dablyo, Léo Thomaz e Ronne Cruz.

Os Monarckas, trio de rap da Zona Leste, já dividiram o palco com Emicida, Leci Brandão, Nação Zumbi e Criolo Divulgação/Monarckas O Monarckas lançou uma música com uma mensagem que tem algo da filosofia budista, da qual são adeptos dois dos três integrantes do trio.

Em “Minha Brisa”, a letra vai além dos problemas sociais da periferia.

O grupo quer falar também sobre o centro da cidade e como ser resiliente em tempos de pandemia. Fundado em 2003 e hoje formado pelo DJ Dablyo, e pelos MCs Ronne Cruz e Léo Thomaz, o Monarckas sempre abordou a vivência na periferia e os temas sociais.

Neste quinto single da carreira, no entanto, o trio vai mais fundo na filosofia budista à qual estão ligados.

Eles encontram uma relação direta entre a mensagem de coragem e empoderamento presentes tanto no rap, quanto na linha japonesa do budismo. No clipe gravado no Viaduto do Chá e na Praça da República, Ronnie Cruz canta versos como “Brisa do destino, levou minha sina; a vida ensina que tudo é foda, a hora é agora dê a volta por cima”. Dablyo, DJ e produtor do grupo, conta que "Minha Brisa" fala sobre "os pequenos desafios e estados de espírito que a gente experimenta ao longo de um dia na cidade, e é um lembrete de que, apesar das barreiras, somos reis do nosso próprio destino". “A ideia não é fazer um ‘gospel do budismo’, mas sou budista desde que nasci e esta é uma filosofia que fala muito de você cuidar bem de você mesmo e do seu lar, ao invés de julgar o próximo.

Essa pandemia deixou isso muito claro - se você se cuida e está bem, você protege quem está por perto", explica Dablyo ao G1. Participação de Bocato A faixa também marca a primeira vez em que o grupo utiliza "instrumentos reais" na produção, além dos samples e das batidas.

Por intermédio do produtor Mad Zoo, que masterizou a música, o trio chegou ao trombonista Bocato, que já tocou com nomes como Elis Regina, Rita Lee, Ney Matogrosso e Itamar Assumpção. “É um mestre com muita história.

A participação ficou irada e gravamos outras faixas com ele no estúdio, que devem ser usadas nos próximos lançamentos.

Ele foi muito gente fina e também participou do clipe”, conta Dablyo, que juntou as notas do trombone aos samples de guitarra jazz e aos vocais da cantora Priscila. Trio Monarckas posa com o trombonista Bocato e com a cantorna Priscila, que participação do single e do clipe de 'Minha Brisa' Maycom Mota/Monarckas/Divulgação Rap espiritualizado O Monarckas é um grupo espiritualizado de rap, mas se sustenta em um tripé, cujas bases ainda estão na periferia da capital.

O MC e compositor Léo Thomaz faz sua graduação em Direito na Faculdade Zumbi dos Palmares.

“Sempre fui muito envolvido com a militância negra.

Há uma ferida que continua aberta sobre a qual posso falar e abordar nas letras com propriedade porque eu sinto isso na pele.

E procuro fazer isso de uma forma aguda.

Quero trabalhar para os pretos", afirma Léo, que está no quarto ano do curso. Organizados pelo MC e compositor Ronne Cruz, o Monarckas completa sua missão com trabalho social e voluntário na periferia, com oficinas de rap, poesia e discotecagem.

"Na Fundação Casa, onde trabalhei como arte-educador, a casa inteira fechava comigo.

Eu perguntava, ‘Quem aqui é contra o sistema?’.

Eles levantavam o braço e eu rebatia: ‘Desculpa, mas o que vocês fazem é fortalecer o sistema quando pegam um 157, assalto, um 33, tráfico, quando fazem uma rebelião e há superfaturamento no colchão que vão repor”, relembra Ronne Cruz. "Foi uma experiência muito forte pra mim.

Vi naqueles jovens a molecada do nosso bairro, e isso me levou a trabalhar na base, diretamente na comunidade e em escolas públicas, antes do crime acontecer e prenderem crianças em cadeias.

Já conheceu de literalmente paralisarmos o tráfico durante uma oficina.

Foi cultura, não foi intervenção militar.

Ali ficou claro que a arte não é só entretenimento, mas algo capaz de desarmar." Da esquerda para direita, DJ Dablyo e os MCs Ronne Cruz e Léo Thomaz, em apresentação na capital paulista Mateus Silva/Monarckas/Divulgação